Em jogo de muita emoção, Israel da Bola se vale do empate contra o Galáticos JS para garantir presença na final do Carioca Evangélico

Equipe abre quatro de vantagem, sofre a virada, mas consegue empatar no fim e briga pelo título invicto contra o Partidários

Por Diogo Priori

Dois times, um objetivo. Israel da Bola x Galáticos JS era garantia de emoção e foi o que aconteceu quando o espírito coletivo exaltado pelo treinador William culminou com um time inspirado nos primeiros minutos. A intensidade e a forma de jogo ‘copeira’ surgiram como a principal arma na partida realizada em Jacarepaguá no Sábado passado. Por outro lado, um adversário organizado e bastante ofensivo como o Galáticos chegava com pompa de favorito, a volta de Diogo injetou ainda mais esperança em um time que tinha certeza que estaria na grande final. O futebol é uma verdadeira caixinha de surpresas, promessa de jogão cumprida.

Eram 11h34 quando o árbitro deu início a partida indicando menos sete minutos na primeira etapa; punição esta imposta por conta de atraso na chegada do ônibus dos Galáticos (NR: Pela regra, com 15 minutos de atraso, o W.O é dado e o time presente tem o poder de escolha: Se aceita o WO a seu favor ou joga, mas com decréscimo de tempo. O Israel preferiu jogar). Começado o jogo, o Israel já tomava iniciativa com uma intensidade fora do comum, estrategicamente claro, já que teria menos tempo de partida, a menor fadiga abriria oportunidade para um jogo ao estilo compacto porém muito rápido. Afonso, alto e forte atacante do Israel, já começara dando trabalho de pivô. Em duas oportunidades, esteve presente quase marcando em uma e dando passe para leonardo finalizar pra fora.

Menos intenso e também com menos homens na marcação, o Galáticos teve sua primeira chance desperdiçada com Diogo, camisa 19 e articulador da equipe, que isolara a bola gerando rápida reposição de Alex. E foi justamente Alex, figura importantíssima desde o início da partida, quem inteligentemente saiu jogando com Bruno e fez a bola chegar até Afonso que, com muito espaço, ainda ajeitou a bola para abrir a porteira de longe, bonito chute cruzado que morrera a média altura do gol do Galáticos. 1×0 Israel da Bola.

Saída de bola horrível do Galáticos, muito espaçado e com uma intensidade nada parecida com a do adversário; parecia não conseguir fazer a leitura correta de jogo. Afonso, como quem não quer nada, só queria o gol, e fez seu segundo livre, de frente pra meta, com mais liberdade que o primeiro, bola no canto esquerdo do goleiro. 2×0 Israel em três minutos de jogo.

A ‘pane’ não parava por aí: pouco mais de um minuto depois, Victinho recebeu um bonito lançamento de Leonardo para matar no peito, com preciosismo, eficiência e três doses de sorte.  Golaço. 3×0 em poucos minutos de jogo. O Banco do Galáticos parecia incrédulo. A Organização vista nos outros jogos parece ter ido ao Alto da Boa Vista ao invés da Estrada Pau-ferro, irreconhecível o time ainda não havia digerido o lindo golaço de Victor.

Verdadeiramente perdido, o time de Ramos não conseguia trocar passes, se aproximar ou achar qualquer espaço para trabalhar a bola.  Seja no meio ou nas laterais, os jogadores do Israel faziam de forma sublime seu trabalho de recomposição/distribuição. Nesse cenário, eis que surge o quarto. Bruno para Gyan, de Gyan para Leonardo, chegando a linha de fundo e tocando para um Afonso livre fazer o quarto, O “Aston Ilha” vivia um pesadelo nesses primeiro oito minutos. Sem esboçar reação e perdendo de 4, só restou ao comandante Tiago pedir tempo e tentar organizar a equipe.

Resignado, o time do Galáticos já voltara com outra cara. Alterando a proposta de jogo, Tiago instruiu seus jogadores a serem mais agressivos e aproveitarem a fatídica queda de ritmo que uma hora o Israel teria. Não demorou muito para William, o 10 do time, diminuir após duas defesas lindas seguidas de Alex, 4×1.

Chegando aos 16 do primeiro tempo, aconteceu o previsto. O Israel bem mais exausto já não conseguia pressionar o adversário com a mesma eficácia. Essa pressão altíssima imposta nos primeiros minutos não se repetira no final da etapa, ótimo para Alus, 7 do Galáticos, que passou pela defesa com facilidade e descontou pela segunda vez. 4×2, muitas emoções até aqui.

O segundo tempo se encaminhava pro final quando Afonso ainda tentara em vão seu quarto na partida. A diferença de dois gols serviu de gás para o Galáticos insistir. Gás esse que resultou em linda jogada individual de William, cochilo agora de Bruno, 4×3. Tensão no campo de jogo.

Terminada a primeira etapa, ambos os times se cobravam de forma acalorada. O Israel, que começara de forma sensacional e arrebatadora abrindo quatro gols de vantagem, se perguntava se somente a exaustão era a responsável pela recuperação do Galáticos na partida, que por sua vez utilizava a rápida reação como inspiração para uma possível virada. O empate, é bom lembrar, favoreceria o Israel.

Nesse início de segundo tempo o que se viu foi um Galáticos retomando o controle do jogo.  Mais forte tecnicamente e buscando pelo menos dois gols para passar à final, tomara a iniciativa e via uma marcação menos frouxa que da primeira etapa. Diogo, ausente na última pártida frente ao Missionários, esteve bem abaixo das atuações que o consolidaram na fase de grupos como o maestro da equipe. Bem recuado, é verdade, por vezes carregava a obrigação de fazer a saída de bola mais limpa achando William, outra potência ofensiva.

Filipe, camisa 2 do Galáticos, merece destaque por seu trabalho na frente. Bem posicionado sempre, trabalhou por vezes com William para tentar chegar aos famigerados gols. Tabelas eram comuns e, aos 4 minutos, já tinha obrigado Alex a fazer duas bonitas defesas.

Irado pelas chances já perdidas no início da primeira etapa, o técnico Tiago, muito nervoso e ativo nas instruções à equipe, viu no chute de Rua o desafogo que precisava para deslanchar o time, quando o travessão e a linha (lógico, gerando muita reclamação do time adversário) salvaram o Israel.

Retomado o controle do jogo, o Israel não marcava com o ímpeto de antes. O imponderável e o goleiro Alex foram elementos que serviram de amuleto ao time que não reagia mais como se esperava, encolhendo por quatro minutos, tempo suficiente para o Galáticos concretizar a tão esperada e inacreditável virada:  William, em um momento de inspiração e (muito) espaço dado pela defesa adversária, achou o ângulo do goleiro Alexander. 4×4, golaço onde a coruja dorme.  Em seguida, o ‘milagre’. Diogo recebeu livre pela direita, com calma, categoria, de primeira após passe de William, 5×4. O banco do Galáticos foi à loucura.

A perplexidade dos jogadores do Israel não durou muito tempo. Pode-se dizer que o maior abalo em termos de concentração se deu na ótima vantagem aberta nos primeiros minutos. O gol serviu para até Afonso, único só com obrigações ofensivas, voltar a marcar atrás da linha da bola.  O jogo no contra-ataque era a opção mais viável para um Israel que jogava pelo empate contra um time pilhado.

William e Alus não contavam com uma tarde tão inspirada de Alex. O goleiro foi um dos grandes responsáveis pela virada não ter se tornado um placar irreversível. Bruno, incansável zagueiro, ainda salvara sua equipe tirando na linha chute do camisa 19.

Nos últimos minutos, o ‘abafa’ tomou conta da partida. O jogo muito mais aberto pelo lado do Galáticos propiciou a ambos chances para ampliar/empatar o placar. Já o Israel, inteligentemente jogando atrás, se aproveitou de um contra-ataque fulminante para calar o banco adversário.   Rápido, Victinho achou Afonso, que achou o gol, pela quarta vez. Herói e incansável atacante comemorava muito, comemoração essa que mobilizou todo o banco com os aguerridos jogadores do Israel. 5×5.

Sem tempo para preciosismo ou fintas, o Galáticos tinha dois minutos para tentar desempatar e ir à grande final. Aí entra Alex de novo. Gigante, viu a bola resvalar na sua mão esquerda bater na trave copiosamente e sair após lindo cruzamento (em direção ao gol). Alívio por parte do Israel e incredulidade do Galáticos. Passou o time mais guerreiro. Israel da Bola, invicto, e finalista do Campeonato Evangélico 2017.

A falta de vaidade, senso de equipe e um enorme comprometimento tático (principalmente nos minutos finais) foram o diferencial do Israel nesse último Sábado. Visto que uma possível virada espetacular do Galáticos ia se encaminhando, a postura de cada jogador individualmente inflamou o grupo, que , com toda certeza, estaria se lamentando até agora se fosse eliminado após abrir tamanha vantagem de quatro gols à frente do placar. Partidários X Israel da Bola, com justiça, na grande final!

     Melhor do jogo:

Afonso [Israel da Bola]: Quatro gols, excelente pivô e auxílio na marcação.  Foi junto a Alexander, o maior jogador da partida pela participação e grande senso.

     Menção honrosa:

Alexander [Israel da Bola]:  Pelo menos quadro grandes defesas colocaram o Israel na grande final.  Sem dúvida uma das melhores atuações individuais do torneio até aqui

Leonardo [Israel da Bola]:  Três assistências, foi quem fez a ‘bola girar’ no meio-campo do Israel da Bola.  Fundamental e crucial para três dos gols.

William [Galáticos JS]:  O hat-trick não impediu a eliminação da sua equipe, mas o consagrou como o mais inspirado do que seria uma histórica virada.

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