Partidários não toma conhecimento do Ágape, vence adversário com autoridade e está na semifinal do Carioca

Por Diogo Priori

Discutir disciplina tática, com linhas concisas, infiltrações e trabalho de recomposição eficientes fazem parte do dia-dia dos fãs desse esporte. Na partida que encerrava a emocionante e surpreendente rodada de Quartas de Final do campeonato evangélico, venceu o mais organizado e mais entrosado, transmitindo o maior senso de equipe possível. O Partidários passou pelo todo-poderoso Ágape, de Matheus Piu, e está, mais uma vez, na semiifnal do Carioca.

Com o início da partida, o Partidários já mostrava suas cartas marcando a saída de bola do Ágape, que já se mostrava mais ofensivo montando um triângulo que fechava nas pontas com Michel e Piu, mas sem sucesso. Atual vice-campeão e um time muito mais copeiro, o Partidários tem em Will, seu camisa 9 e Lucas (Di Maria), camisa 10, os mais talentosos, junto à vontade de Gabriel, a disciplina e aplicação de Juninho. Foi Will quem tomou iniciativa num bonito chute cruzado que obrigou o goleiro do Ágape, Junior, a fazer grande defesa. E foi daí que, em uma saída com Gabriel, Lucas pela ponta direita arriscou um cruzamento.  Certeiro, nem precisou achar um companheiro. “Sem querer, querendo”. 1×0.

A ausência de Marcus como pivô fez muita falta à equipe do Recreio, depositando em Fabiano, camisa 20, suas esperanças para formar um trio com Matheus Piu e Michel. Artilheiro e melhor jogador da competição até aqui, Piu não conseguira desenvolver seu melhor futebol por falhas de conjunto, já que por vezes tentava isolado; time com pouquíssimas triangulações e uma tarde nada inspirada de Michel, camisa 10 e jogador criativo de outros jogos, foram a síntese do time.

Nos primeiros minutos já se via um declínio técnico e desorganização com relação aos últimos jogos, a falta de encaixe no ataque, com grandes méritos ao adversário compacto de passes curtos como o Partidários, foi a gota d’água. Aos 10, Lucas achou Alfredo, que pela ponta-direita só teve o trabalho de achar Will, sem goleiro. 2×0. Ágape irreconhecível.

Marcando a saída de bola, Lucas e Will tinham um entrosamento fora do comum, quando retinham para o time, se achavam facilmente, ainda com a chegada nas bolas paradas de Gabriel.

Piu tentara três vezes com muito perigo ao longo da primeira etapa. Todas sem ângulo. Tentou também pelo alto em uma bonita bola enfiada pela esquerda.  Escanteio que gerou muita confusão, o árbitro Márcio prontamente assinalou mão do defensor do Partidários.  Pênalti para o Ágape.  2×1.  Dentro de uma engrenagem compacta, o mais espaçado era Will, consequentemente também o mais acionado, já que até Michael, seguro camisa 3 do Partidários, arriscava achar o companheiro livre.

Começado o segundo tempo, o padrão se mantinha, o Partidários era um time que sabia de suas limitações e tinha como ponto forte o entrosamento.  Não era raro ver viradas de jogo bem feitas e uma equipe arriscando na medida, sem esquecer de fechar a ‘casinha’. Indignado e já advertido verbalmente diversas vezes pelo árbitro Márcio, o professor tratou de colocar Yan para trabalhar no lado esquerdo na segunda etapa.

O Partidários, mesmo vencendo, acelerava o ritmo, por vezes levando seu treinador e seus jogadores reservas à loucura. Yan já levara falta em uma tesoura que rendeu cartão amarelo para Lucas, camisa 19 do Ágape. Michel e Fabiano alternaram mais posições nessa segunda etapa, e, sem mobilidade, Fabiano sempre tenta achar Piu pela direita. Em vão.

Na jogada seguinte, Piu ainda lançou Michel, para, com muito preciosismo, perder a chance de empate para o time branco-azul. Dramático, mas controlado, o Partidários ganhava confiança a cada oportunidade desperdiçada pelo rival, e foram poucas.

Lucas, do Partidários, era o principal articulador do time, centralizado bateu muito de fora, foi assim que, após duas tentativas, resolveu aproveitar o cansaço e a distração da defesa do Ágape para entrar na área e ainda driblar o goleiro; 3×1. Classificação encaminhada e um clima tenso que já havia tomado conta do Ágape.  Confiança, tranquilidade e organização não entraram no ônibus com a equipe rumo ao Alto da Boa Vista nesta tarde. O sentido de grupo resumia o Partidários. Méritos a Gabriel, incansável 11 do Partidários que, além de firme e móvel na marcação, mostrou que não apenas os homens de frente se destacam em um time bem encaixado. Ele se lançava ao ataque quando necessário. E foi dessa vez. Cruzamento certeiro de Yan, Bolt nas alturas, o quarto do Partidários para matar o jogo. 4×1.

Desesperado, o Ágape se lançou ao ataque. Michel, muito apagado e errando tudo, conseguiu acertar o gol aos 18 minutos em bonito chute de fora da área. Dois minutos mais tarde, tabelou com Fabiano, deixando o camisa 20 livre para diminuir. 4×2.

Existem jogos em que o clima é tão forte que chega a ditar o ritmo da partida. Após esse segundo gol do Ágape a partida chegava a um ritmo impressionante, de dar inveja aos iniciais. Apesar de o Partidários se defender e ter dois na vantagem, a tensão dos reservas era como se tudo estivesse empatado, longos dois minutos para o Partidários. O gol de Piu no final, de falta, transmitiu um último suspiro para o Ágape, mas já estávamos nos descontos.

Os Reservas do Partidários ajudaram como podiam virando verdadeiros torcedores na grade que separava do campo. Verdadeiro clima de final, mais uma partida do Campeonato Evangélico de Futebol de 7 em que o ambiente transbordou tensão e emoção.  Venceu o mais organizado. Venceu o que defendeu melhor. Venceu o coletivo. Partidários nas semis para enfrentar o Ousadia, que joga pelo empate.

     Melhor do jogo:

Lucas e Juninho [Partidários]:  Escolher um seria injusto, a tônica do time é o conjunto.  Juninho foi essencial nas saídas de bola e Lucas no último passe e conclusão.

     Menção honrosa:

Will [Partidários]:  Bastante acionado e muito importante para chamar marcação, deixou o dele na partida.

Gabriel ‘Bolt’ [Partidários]: Muita garra e energia; foi premiado com o quarto gol da equipe em uma linda cabeçada.

Matheus Piu [Ágape F7]:  Marcou dois dos três gols da sua equipe em bola parada. Artilheiro isolado da competição, jogou por vezes muito sozinho.

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